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Author page: Alternativa Colégio

HOMESCHOOLING: A MINHA VERDADE, A SUA VERDADE OU AS NOSSA DÚVIDAS

Quero deixar claro, em primeiro lugar, que aqui não pretendo construir uma cartilha de educação de como fazer, ou afirmar o que é certo ou errado, pois não sei.

O nosso encontro de hoje é mais sobre reflexão e uma visão filosófica e pedagógica – e até política, de nossos dias.

Em primeiro lugar, vivemos um momento onde pais, quando conseguem emprego, é claro, tem que trabalhar em horário integral e ainda, não temos robôs educadores.

Em segundo lugar, partimos da premissa de que quando entregamos nossos filhos a uma Escola, essa Instituição, de fato, está preparada para oferecer aos nossos filhos a formação pedagógica e os princípios sociais e éticos em que acreditamos.

Entendo que a Escola deve ter a neutralidade de lidar com os diferentes matizes religiosos e de formação sexual. A meu ver, esse papel cabe exclusivamente às famílias.

Por último, e talvez o mais importe, é nos perguntar se o Estado existe para servir ao cidadão ou é o cidadão que serve a um Estado monopolizado por grupos e, se assim fosse, teria que oferecer, de fato, a cada criança, uma educação de qualidade, igualitária e formadora. Como não o faz, seria um direito e um dever dos pais, a educação em casa ou em uma instituição privada, que deveria, então, ser custeada pelo Estado omisso.

Nossa Constituição longa e claudicante afirma que é obrigação do Estado oferecer a toda criança, educação, entre outras. Educação de qualidade.

Depois dessa introdução vamos pensar em voz alta algumas premissas.

Estariam todas as famílias disponíveis e preparadas para educação de seus filhos fora do ambiente escolar? Eu diria, sem medo de errar, que muitas diriam que sim e eu afirmaria que não.

Estariam todas as instituições de ensino preparadas para educar, de forma adequada, nossos filhos? Cada um responde. Mas eu assumo a minha resposta como educador e com 72 anos de vida, que um número significativo de Instituições particulares sim, e infelizmente a maioria das públicas, não.

Luís Roberto Barroso, votou a favor do ensino domiciliar. Para ele, os pais têm o direito de escolher o tipo de educação que consideram melhor para os filhos – especialmente diante de indícios de que a qualidade da educação ofertada nas escolas é deficiente.

Temos uma premissa falsa, pois os pais têm o direito de escolher a educação para os seus filhos, mas estariam eles preparados para, emocionalmente, entenderem e praticarem a melhor educação para inserirem seus filhos no mundo atual? A educação tem que ser exercida com um amor libertário e não com um amor de posse e proteção.

Alexandre de Moraes afirma que, como não há regulamentação do Congresso, não haveria como fiscalizar o rendimento e a frequência dos alunos instruídos em casa. Moraes disse que não é tarefa do Judiciário estipular regras para fiscalizar o “homeschooling”, como queria Barroso. Logo, o ensino domiciliar não poderia ser considerado legítimo no Brasil. O Brasil já tem uma das maiores taxas de evasão escolar. Sem uma regulamentação Congressual detalhada, com avaliações pedagógicas e de socialização, teremos evasão escolar travestida de ensino domiciliar.

Novamente eu aqui me pergunto, sendo nossos parlamentares, representando nossos votos de forma democrática, mas na verdade por meio de um processo eleitoral totalmente distorcido, também preparados para disciplinar essa matéria?

Rosa Weber votou no mesmo sentido, acrescentando que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) determina o ensino presencial e estipula que, se a criança apresentar faltas em taxa superior a 50%, o estabelecimento educacional precisa comunicar a Justiça.

Fux criticou ainda a posição de famílias que, por crenças religiosas, pregam a educação domiciliar. Para ele, tal modalidade de ensino em certas circunstâncias é, na verdade, “uma superproteção nociva à criança”. Ele disse que o ambiente escolar, com seu programa pedagógico formulado, não afronta em nada a liberdade de crença das crianças.

Barroso enfatizou que, em todo o mundo, especialmente nos países desenvolvidos, a população praticante da educação doméstica tem aumentado de maneira significativa. No Reino Unido, são 100 mil alunos nessa condição. Nos Estados Unidos, são 1,8 milhão. Embora não haja previsão legal, a experiência é compartilhada por ao menos 3.201 famílias no Brasil, segundo mapeamento feito em 2016 pela Associação Nacional de Educação Domiciliar (Aned).

Enfim, falta ainda uma pesquisa mais significativa, que só o futuro será capaz de responder. Que tipo de homem adulto teremos nos dias de amanhã, dos que se formaram isolados de uma formação plural em ambientes socialmente competitivo?

Uma coisa posso afirmar, e aí já me colocando como profissional de saúde mental:

Vivemos hoje em dia, uma experiência virtual de relacionamento através da comunicação digital cada vez mais presente, e que hoje, já é motivo de dependência e tratada como droga e desvio de comportamento. Já existem instituições de ensino que quase colocam o professor como simples apoio desse processo, se dizendo “modernas”.

Me pergunto: como essa criança, já totalmente metamorfoseada por esse tipo de realidade virtual, será no futuro, isolada do ambiente competitivo, porém humano, das regras sociais de interação de amor e ódio que ocorrem no cotidiano das relações humanas – e que se repetem dentro das escolas, naturalmente, balanceadas pela presença de professores e a própria demarcação dos limites impostas, sendo educada dentro de regras familiares?

Enfim, que cada um de nós olhe um pouco para trás, para nos ver crianças e entender como nos formamos e que tipo de educação tivemos, e olhemos para nossos filhos, que em breve não o serão, e que terão eles próprios, filhos que educarão.

Vivemos um momento diferenciado, mas cada geração vive essas mudanças externas com seus questionamentos. Entendemos que fora de nós, as coisas mudam, e cada vez em uma velocidade que muitas vezes não podemos acompanhar.

Dentro de nós, no entanto, permanecemos os mesmos, com as mesmas dificuldades e limitações e, infelizmente, cada vez mais frágeis.

Um processo educacional não se corrige ou se constrói no tempo político de um governo, e sim, no tempo de toda uma geração. E nesse processo, já perdemos algumas.

 

OBS – Mande por mensagem suas opiniões, suas críticas.

Jorge de La Rocque

Psiquiatra-Professor da UFF

Mestre em Educação.

DIZER SIM AOS NOSSOS FILHOS, MUITAS VEZES É DIZER NÃO.

É uma tarefa nova que assumo agora, já avô de 3 netos, de falar sobre Educação através de um blog. Essa tarefa pratico todos os dias e há anos em meu consultório – antes no Rio, Niterói, Macaé; em palestras como Professor de Neuropsiquiatria da Infância e Adolescência da UFF e hoje em dia, em Rio das Ostras.

Espero que as minhas palavras abram portas e janelas, e que cada um de vocês também relatem suas experiências, seus erros e acertos, pois eu ainda vou errar muito, pois jamais vou desistir de tentar acertar.

Tenho 3 filhos de outro casamento, e uma de minhas filhas, hoje com cerca de 41 anos, quando estava recém-formada em Direito e morava com sua mãe e avós em Niterói, se submeteu a uma seleção como trainee na empresa Vale do Rio Doce. Ela teria sido contratada, se não fosse a sua desclassificação na seleção de Inglês. Tinha largado os estudos pois “não gostava do curso”.

Pegou seu carro e veio a Rio das Ostras, e entre lágrimas, me jogou na cara que eu tinha sido culpado de ter deixado sua mãe e seus avós não a terem “obrigado” a continuar o estudo da referida língua estrangeira.

“Naquela idade, eu não tinha capacidade de entender a importância disso na minha vida, mas você sim!”, me falou com raiva.

Jurei para mim mesmo que jamais escutaria isso de um outro filho.

Alguns anos depois, a vida me submeteu a um teste semelhante, e acho que passei com louvor, embora minha filha deva ter me odiado por algum tempo. Mas me lembrava das palavras de meu pai:

“Filho, prefiro que você me odeie agora, mas se lembre depois de mim para sempre com amor”. Assim foi, e é.

Uma de minhas 3 filhas de meu casamento atual chegou para a mãe e disse que estava “cheia” do seu curso atual de inglês – e só havia um, na época, em Rio das Ostras – e que queria ir estudar em Macaé.

Falei para ela que a acompanharia a Macaé para escolher em que curso iria estudar, pois na sua idade, não saberia escolher qual de fato seria o melhor, e que lhe daria toda semana, o dinheiro da passagem e do lanche.

“Não vai me levar de carro não???” – me fuzilou com um olhar.

Lhe comuniquei que trabalhava todos os dias, e que a opção de não estudar próxima de casa era sua. Falou então, que iria continuar no curso em Rio das Ostras!

Alguns anos depois, e sempre me lembro disso com lágrimas nos olhos, me procurou e me abraçou, me entregando seu diploma de formação em Inglês e me convidou para estar presente em sua formatura.

Nesse dia, me abraçou e disse:

“Pai, obrigada por não ter me deixado largar o Inglês”.

Depois, me pediu para fazer uma especialização para poder lecionar e quando morando em Niterói e estudando na PUC, onde se graduou como advogada, ganhou mais uma possibilidade.

Estava agora habilitada para poder ganhar algum dinheiro sendo professora de inglês onde quisesse e quando bem entendesse.

Hoje em dia, seu conhecimento de línguas lhe permite que viaje por outros países com segurança e desenvoltura e é mais uma porta e um caminho que abriu na trajetória de sua vida.

 

Dr. Jorge de La Rocque

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